24.11.10

fazer juz ao nome



Só para avisar que a minha mãe chegou a casa com uma saia travadissima que até faz balão, de veludo verde, só para mim. Fico com uma cintura pequenina e umas ancas gigantes, e obriga-me a andar de uma certa maneira, pareço aquela actriz do Mad Men com quem partilho o nome.

21.11.10

19.11.10

o marquitos e a lolita

(Desculpem a falta de posts, mas Novembro é uma merda de mês para mim, desde de pequenina e a entrega de trabalhos em plasticina me stressava)

Excerto do meu diário, 19 de Abril de 2009
Depois de Histologia, apanhei o comboio e um senhor de cabelo branco e óculos grossos pensou que me conhecia. Sentou-se ao meu lado, viu que eu estava a ler.
-Tão bonito que é ler. Já houve livros que me enriqueceram bastante.
Sorri, voltei ao meu livro.
-Se me permite, o que estás a ler?
Mostrei a capa.
-Vladimir é o primeiro nome de Lenine, sabias? Vladimir....
-Ilyitch - respondi.
-Isso! Já segui esses ideais, embora neste momento esteja um pouco afastado... - Sorriso constrangido, e voltei ao livro. - Ah, mas estás a ler em inglês! É bom, ser bilingual...
-Sim, nasci no Canadá - menti, e disse que vim há pouco tempo para vir para a Universidade aqui.
-Canadá deve ser outro mundo, não? Ouvi dizer que até há uma cidade subterrânea.
-Sim! Venho de lá, chama-se Montreal.
Todo o caminho até Ermesinde a discutir o socialismo, política externa americana. Sempre a dizer que era bonita e inteligente. Perguntou duas vezes se tinha namorado.
Deu-me um beijinho na testa de despedida.
O livro que eu estava a ler era o "Lolita".

Via-o várias vezes no comboio, mas sempre o tentei evitar, baixando a cabeça para um livro ou olhando incessantemente pela janela, o que quando ele finalmente me conseguia "apanhar" e me cumprimentar, fazia-o dizer que eu pareço sempre triste. Fazia-me festas na bochecha, dizia que era tão linda (pudera, com a idade dele tudo que não pareça u)ma noz com mamas até aos joelhos é linda). Que sabia tanto, tanto para a minha idade e que adorava conversar comigo. Desejava nesses momentos estar no percentil 10 da cultura, pensar que um cocktail molotov é um bolo e que Pinochet é cerveja com 7up. Queria-me sempre levar a sitios, ao Palácio de Cristal e ao café, mas eu bem inventava desculpas, ou nem as inventava, estou sempre com pressa.
Um dia, disse honestamente que tinha de ir à Fnac buscar um rolo que deixei lá a revelar. Lixou-me o gajo.
-Olha, é a caminho do Majestic, pago-te o pequeno-almoço. E se quiseres um livrito...
A minha mente foi toldada pelos meus vícios, livros e cafeína. Já de negativos na carteira, sentamo-nos, eu por cima duma meia de leite enorme, ele com um cafézinho e o JN. Falou-me que esteve para se separar várias vezes da mulher (PORQUE SERÁ, HM?), e mais uma vez, perguntou-me se tinha namorado. Menti, disse que sim. Falou-me das "diferenças intrinsecas entre as raparigas e os rapazes na descoberta da sexualidade" (bullshit, eu não "dou sexo para receber amor", desculpe lá). Pagou a conta. Abraçou-me. Deu-me um beijo na testa. E no nariz. E no queixo. Tentei fugir, mas o raio do homem era forte. E outro no meu olho esquerdo. O meu coração parou. Quando era mais nova, pensava para mim que saberia quem era o homem da minha vida quando me dessem um beijo no meu olho esquerdo, ceguinho, estrábico, pequenino e pouco-amado por todos. Isto não podia ser. Deu-me um repuxo de adrenalina dentro de mim, afastei-o de mim e disse que tinha de ir à minha vida.
Não o vi durante meses. Até que um dia se sentou à minha frente numa época de exames qualquer, e me perguntou:
-Diz-me sinceramente o que pensas de mim.
Crescemos com o "respeita os mais velhos". Mandá-lo à merda seria como fazê-lo ao meu avô, quase. Mas tinha que ser.
- Acho que é um senhor bastante chatinho, sabe.
Sorriu, e disse:
- Então, boa sorte, e nao te volto a chatear.
Hoje, no comboio, com a enchente de pessoas em Ermesinde, tirei a minha mochila do assento ao lado para alguem se poder sentar. Ele ia-se a sentar, trocamos olhares, mas continuou a procurar lugar. Ainda bem. Já não tenho idade para ser Lolita.

1.11.10

feliz dia de todos os santos

http://www.flickr.com/photos/olethomas/


Céus, mesmo a calhar, encontrei este gajo que tirou uma foto ao avô acabado de morrer. E ainda por cima mal focada, que horror.

quero GUERRA!


Tudo neste anúncio me faz subir a tensão arterial. O cor-de-rosa-choque. O VW Beetle tambem rosinha no fundo, como um que eu tinha da Barbie. O "instinto feminino", que passou por mim e andou sempre, e desconfio que fez o mesmo por todas. As modelos, que não tão subtilmente fazem lembrar as senhoras do Sexo e a Cidade, série que os publicitários devem ter achado que representa a vida de todo o grupo-alvo (não podia estar mais longe, mas isso é assunto para outro para todo um outro post, muuuuito longo).
E o conceito, meu Deus, o conceito.
Um seguro automóvel para mulheres.
Porque é que o meu segundo cromossoma X pede um seguro só para ele? Vamos ver o que um anúncio na revista Happy deste mês diz.

Chegou o Seguro Automóvel amigo das mulheres. O Seguro com um plano exclusivo que garante a reparação de pequenos toques sem pagar franquia. O Seguro com serviços de assistência em viagem que pode chamar quando em vez de gasolina, pôs gasóleo - ou quando não está para estragar as unhas a mudar um pneu. Para aderir, visite uma agência ou mediador Fidelidade Mundial ou Império Bonança ou faça uma simulação em fidelidademundial.pt ou imperiobonanca.pt
Reparação de pequenos toques sem pagar franquia. Oh fixe, mas porquê só para as mulheres e homens não? Faz lembrar a velha moda do homem pagar o jantar.
... que pode chamar quando em vez de gasolina, pôs gasóleo "Hihi, sou gaja, começa tudo por "gasol", não é? Faz mal pôr o outro? Oh, não sabia, não tenho culpa, hihi, sou gaja! Agora salvem-me desta encrenca, senhores homens!" Poupem-me. A única pessoa que vi a fazer esta merda foi um homem com barriga de cerveja que vê futebol e vai à caça.
ou quando não está para estragar as unhas a mudar um pneu. "Não sei mudar um pneu, lol sou gaja, mas mesmo que soubesse, ai as minhas unhas! Chamem um homem, depressa!"

Odeio quando dizem que já não há razão para existerem feministas. Olhem à vossa volta. Analisem o mundo. Verão que ainda somos ou putas, ou meninas indefesas.