28.12.10

três postas de pescada

#1 Durante o tempo de estudo/férias, a minha higiene pessoal vai com o caraças.

#2 Odeio couve. Porém adoro couve-de-bruxelas. Sou uma pedófila da couve.

#3 Aprendi a conduzir só mesmo para ouvir música no carro.

27.12.10

hope I die before I get old

Parabéns, pai.
É tão estranho que o meu pai seja exactamente da idade daqueles gajos a cantar "My Generation". Qual é o momento na vida nos progenitores em que deixam de ser pessoas cheias de vida, que fazem disparates, coisas sem sentido, ouvem música alta, da geração rasca ... e passam a ser ... pais, simplesmente?

Aqui está, a geração do meu pai, em toda a força em Woodstock:

23.12.10

feliz natal, com a participação da família ono-lennon



Feliz Natal a todos leitores do blog, que eu nem sei quantos são.
(E logo que eu começo a gostar disto do Natal, ele começa a findar... é pena não ser tipo casamento cigano, de 7 dias)

19.12.10

tudo isto é triste


, originally uploaded by rougerouge.
Nos outros países faz-se stand-up comedy, em Portugal há stand-up tragedy, chama-se fado.

18.12.10

make the yuletide gay

Nunca gostei muito do Natal. O Natal é a família, e a minha está do outro lado do atlântico, no meio da neve, bem mais natalícia do que a chuva e os 15ºC portugueses. Além de que não gosto de bacalhau. Nem do Natal dos Hospitais (tadinhos dos miudos, estão doentes e ainda têm que aturar o João Baião), nem das campanhas para os pobrezinhos, que só são pobrezinhos no Natal. E depois nunca me dão presentes de jeito (AI DE QUEM ME DER OUTRO PIJAMA POLAR), ou nem dão presentes. Sim, sou materialista como todos vocês.

Mas gosto das músicas de Natal. Aqui vão algumas.



(pessoal que está a ler por feeds RSS/Atom - têm que ir à página do blog para verem as musiquinhas, tá?)

16.12.10

carne para canhão

A parte boa das tristezas é que são carne para a minha caneta, alimentam as linhas dos meus cadernos. Acabei ontem um diário. Já enchi mais três páginas do novo, que comprei a 1€ no El Corte Inglés quando a etiqueta dizia oito. Acho que o empregado engraçou comigo. Isso não é triste. Mas mesmo assim, escrevi no diário.
Sempre disse que o meu sonho era escrever um livro, mas ao fim e ao cabo, desde os meus dez anos, devo ter escrito uns sete, à última conta. Não têm aloquete, não têm páginas de cheiro, não escrevia neles com canetas de cor (se bem que há um todo escrito num código que inventei. Beat that, Robert Langdon!). Sentia que eram de certa forma superiores aos diários das outras meninas - havia ali verdadeiro conteúdo filosófico. Mas não. Leio-os agora, e ó céus, que vergonha. Um dia hei-de publicar aqui excertos dos meus rabiscos de 13 anos e pico, idade de Adrian Mole.

Pergunto-me se a Anne Frank estará fodida conosco por andarmos todos a cuscar-lhe o diário, quais irmãozinhos irritantes, pais desconfiados.

13.12.10

a fúria do açúcar

Esta crise do açucar começou com um rumor. "Eh pá, ouvi dizer que este Natal vai acabar o açúcar."
E então gente que nem gostava de açúcar no chá, que nem faz bolos, que é diabética, foi a correr ao hipermercado em cuecas comprar 10kg de açúcar no mínimo, cada um.

8.12.10

Sylvia (2003), com Gwyneth Paltrow e Daniel Craig

Olhem a minha primeira crítica a um filme n'A Saia Travada!
Bom, parece que a minha escritora-obsessão do momento é a Sylvia Plath. Começou com a JK Rowling com para aí 10 anos, depois Florbela Espanca, Virginia Woolf e agora esta. Gosto delas em níveis crescentes de vidas trágicas. E devoro tudo o que posso sobre elas - primeiro o que elas escrevem, depois o que escrevem sobre elas (ai meu Deus, a minha wishlist da Amazon), e depois os biopics e as adaptações ao cinema e tudo o mais.
Pelo menos tive mais sorte com filmes sobre a Virginia Woolf.
Sylvia não é sequer um biopic, é mais uma tragédia romântica (trag-com?), que faz da escritora brilhante uma Desperate Housewife. É demasiado rápido -pimba, ela conhece-o, pimba, pinam, pimba, casam-se, pimba, ele mete-lhe os cornos. Dá a ideia que o único problema da vida dela é o marido, quando os demónios de Sylvia estão bem mais profundos dentro dela - um dos enúmeros erros de pesquisa deste filme.  Começa tudo com o casting - Daniel Craig podia ter feito um sotaque mais do Norte, ok, mas Gwyneth é completamente desadequada. Demasiado glamourosa para uma poeta não feia, mas deslavada e simples, e um sotaque que muda ao longo do filme - ora é completamente americano, ora é completamente britânico, e nada do típico sotaque de Boston de Plath.
Só se safa o vizinho de baixo - nada mais nada menos que o primeiro Dumbledore.

5.12.10

não tive baile de finalistas.



Não tive baile de finalistas, e consequentemente, não houve a parte em que baixam as luzes e há o slow. Mesmo que houvesse, eu não teria par, era uma pária da sociedade nessa altura. Sentar-me-ia numa das mesas mais afastadas a fazer barquinhos com as ementas e a desejar que o chão do polivalente se abrisse ao meio como naquele filme de Natal, It's A Wonderful Life, enquanto esta música tocava.
Ora vejam lá se não é mesmo música de slow.

3.12.10

chapéus há muitos, parte IV

Se tiveres menos menos de 60 anos ou fores do sexo feminino, usar chapéu em Portugal é como andar na rua vestida de senhora da época vitoriana ou palhaço, farda das SS ou coisa que o valha. Português que é português desbrava o frio ou o sol, até chegar àquela idade em que tem que impreterivelmente comprar uma boina verde-tropa ou castanha.
Hoje andei com um chapéu cloche cinzento, da cor da minha saia (não travada). Estava um frio do c******¹ e toda a gente sabe que perdemos a maior parte do nosso calor pela cabeça. E os meus pais sempre disseram que eu tinha cabeça para chapéu - olhem, ao menos serve para alguma coisa. Chapéu eu pus.
Trolhas: olham com um olhar completamente diferente do que estou habituada. Um disse "Olhá Beatriz Costa!". Hm. Este percebia de moda dos anos 20. Palmas para ele. Amigos, dizem-te que pareces a idosa do Sozinho em Casa III.
Continuarei a usá-lo, a ele e aos seus companheiros de quando o tempo o ditar ou a roupa convier. Chapéus ao poder, jovens!

¹Inserir letras ao vosso gosto pessoal e educação que receberam em casa.

1.12.10

leopoldina vs popota

Ambas são irritantes, mas prefiro a Popota. Porquê?
A Leopoldina era uma avestruz exploradora. Deixou de lado a faceta David Attenborough, as asas, o colete. Pôs silicone e uma fatiota toda Lara Croft. O sexo vende, até aos putos.
A Popota é um hipopótamo. É -choque!- obesa. E acha-se fabulosa. Quero pensar que há uma menina qualquer que pega no catálogo do Modelo que metem na caixa do correio por estas alturas e sonha não com os brinquedos, mas com um dia ter lantejoulas e holofotes à volta, mesmo tendo banhas, mesmo sendo gozada.


Não gosto assim muito do Natal.

24.11.10

fazer juz ao nome



Só para avisar que a minha mãe chegou a casa com uma saia travadissima que até faz balão, de veludo verde, só para mim. Fico com uma cintura pequenina e umas ancas gigantes, e obriga-me a andar de uma certa maneira, pareço aquela actriz do Mad Men com quem partilho o nome.

21.11.10

19.11.10

o marquitos e a lolita

(Desculpem a falta de posts, mas Novembro é uma merda de mês para mim, desde de pequenina e a entrega de trabalhos em plasticina me stressava)

Excerto do meu diário, 19 de Abril de 2009
Depois de Histologia, apanhei o comboio e um senhor de cabelo branco e óculos grossos pensou que me conhecia. Sentou-se ao meu lado, viu que eu estava a ler.
-Tão bonito que é ler. Já houve livros que me enriqueceram bastante.
Sorri, voltei ao meu livro.
-Se me permite, o que estás a ler?
Mostrei a capa.
-Vladimir é o primeiro nome de Lenine, sabias? Vladimir....
-Ilyitch - respondi.
-Isso! Já segui esses ideais, embora neste momento esteja um pouco afastado... - Sorriso constrangido, e voltei ao livro. - Ah, mas estás a ler em inglês! É bom, ser bilingual...
-Sim, nasci no Canadá - menti, e disse que vim há pouco tempo para vir para a Universidade aqui.
-Canadá deve ser outro mundo, não? Ouvi dizer que até há uma cidade subterrânea.
-Sim! Venho de lá, chama-se Montreal.
Todo o caminho até Ermesinde a discutir o socialismo, política externa americana. Sempre a dizer que era bonita e inteligente. Perguntou duas vezes se tinha namorado.
Deu-me um beijinho na testa de despedida.
O livro que eu estava a ler era o "Lolita".

Via-o várias vezes no comboio, mas sempre o tentei evitar, baixando a cabeça para um livro ou olhando incessantemente pela janela, o que quando ele finalmente me conseguia "apanhar" e me cumprimentar, fazia-o dizer que eu pareço sempre triste. Fazia-me festas na bochecha, dizia que era tão linda (pudera, com a idade dele tudo que não pareça u)ma noz com mamas até aos joelhos é linda). Que sabia tanto, tanto para a minha idade e que adorava conversar comigo. Desejava nesses momentos estar no percentil 10 da cultura, pensar que um cocktail molotov é um bolo e que Pinochet é cerveja com 7up. Queria-me sempre levar a sitios, ao Palácio de Cristal e ao café, mas eu bem inventava desculpas, ou nem as inventava, estou sempre com pressa.
Um dia, disse honestamente que tinha de ir à Fnac buscar um rolo que deixei lá a revelar. Lixou-me o gajo.
-Olha, é a caminho do Majestic, pago-te o pequeno-almoço. E se quiseres um livrito...
A minha mente foi toldada pelos meus vícios, livros e cafeína. Já de negativos na carteira, sentamo-nos, eu por cima duma meia de leite enorme, ele com um cafézinho e o JN. Falou-me que esteve para se separar várias vezes da mulher (PORQUE SERÁ, HM?), e mais uma vez, perguntou-me se tinha namorado. Menti, disse que sim. Falou-me das "diferenças intrinsecas entre as raparigas e os rapazes na descoberta da sexualidade" (bullshit, eu não "dou sexo para receber amor", desculpe lá). Pagou a conta. Abraçou-me. Deu-me um beijo na testa. E no nariz. E no queixo. Tentei fugir, mas o raio do homem era forte. E outro no meu olho esquerdo. O meu coração parou. Quando era mais nova, pensava para mim que saberia quem era o homem da minha vida quando me dessem um beijo no meu olho esquerdo, ceguinho, estrábico, pequenino e pouco-amado por todos. Isto não podia ser. Deu-me um repuxo de adrenalina dentro de mim, afastei-o de mim e disse que tinha de ir à minha vida.
Não o vi durante meses. Até que um dia se sentou à minha frente numa época de exames qualquer, e me perguntou:
-Diz-me sinceramente o que pensas de mim.
Crescemos com o "respeita os mais velhos". Mandá-lo à merda seria como fazê-lo ao meu avô, quase. Mas tinha que ser.
- Acho que é um senhor bastante chatinho, sabe.
Sorriu, e disse:
- Então, boa sorte, e nao te volto a chatear.
Hoje, no comboio, com a enchente de pessoas em Ermesinde, tirei a minha mochila do assento ao lado para alguem se poder sentar. Ele ia-se a sentar, trocamos olhares, mas continuou a procurar lugar. Ainda bem. Já não tenho idade para ser Lolita.

1.11.10

feliz dia de todos os santos

http://www.flickr.com/photos/olethomas/


Céus, mesmo a calhar, encontrei este gajo que tirou uma foto ao avô acabado de morrer. E ainda por cima mal focada, que horror.

quero GUERRA!


Tudo neste anúncio me faz subir a tensão arterial. O cor-de-rosa-choque. O VW Beetle tambem rosinha no fundo, como um que eu tinha da Barbie. O "instinto feminino", que passou por mim e andou sempre, e desconfio que fez o mesmo por todas. As modelos, que não tão subtilmente fazem lembrar as senhoras do Sexo e a Cidade, série que os publicitários devem ter achado que representa a vida de todo o grupo-alvo (não podia estar mais longe, mas isso é assunto para outro para todo um outro post, muuuuito longo).
E o conceito, meu Deus, o conceito.
Um seguro automóvel para mulheres.
Porque é que o meu segundo cromossoma X pede um seguro só para ele? Vamos ver o que um anúncio na revista Happy deste mês diz.

Chegou o Seguro Automóvel amigo das mulheres. O Seguro com um plano exclusivo que garante a reparação de pequenos toques sem pagar franquia. O Seguro com serviços de assistência em viagem que pode chamar quando em vez de gasolina, pôs gasóleo - ou quando não está para estragar as unhas a mudar um pneu. Para aderir, visite uma agência ou mediador Fidelidade Mundial ou Império Bonança ou faça uma simulação em fidelidademundial.pt ou imperiobonanca.pt
Reparação de pequenos toques sem pagar franquia. Oh fixe, mas porquê só para as mulheres e homens não? Faz lembrar a velha moda do homem pagar o jantar.
... que pode chamar quando em vez de gasolina, pôs gasóleo "Hihi, sou gaja, começa tudo por "gasol", não é? Faz mal pôr o outro? Oh, não sabia, não tenho culpa, hihi, sou gaja! Agora salvem-me desta encrenca, senhores homens!" Poupem-me. A única pessoa que vi a fazer esta merda foi um homem com barriga de cerveja que vê futebol e vai à caça.
ou quando não está para estragar as unhas a mudar um pneu. "Não sei mudar um pneu, lol sou gaja, mas mesmo que soubesse, ai as minhas unhas! Chamem um homem, depressa!"

Odeio quando dizem que já não há razão para existerem feministas. Olhem à vossa volta. Analisem o mundo. Verão que ainda somos ou putas, ou meninas indefesas.

24.10.10

manifesto das que se sentam nos wc públicos

The Toilets Sessions (04) - Les Bourses (09) - 28Jul07, La Selle en Hermoy (France)


Caras companheiras do sexo feminino:

A menos que tenham uma ferida aberta nas nádegas e sejam imunocompremetidas, não vão apanhar nenhuma doença por se sentarem na sanita da casa de banho do shopping/faculdade/disconight.
Quanto muito, molham-se com as desagradáveis pinguinhas das meninas que fazem ali uma ginástica para levitarem um pouco acima do repudiado repouso. Não podiam limpar, ao menos?
Pior e mais incompreensível ainda, as que querem levar a experiência do mato para o mundo urbano. Põem os pés em cima do assento e ali se agacham. Que bucólico, só falta um arbusto e uma cobrita ou outra. Esta espécie indentifica-se pelas marcas das All-Stars que deixam na sanita.
Depois há as variantes.
As criaturas sem-alma que cobrem tudo com camadas e camadas de papel higiénico; enquanto os seus glúteos assentam sobre quase-nuvens, cedros e eucaliptos choram pelos seus filhos perdidos.
As que fazem tudo por tudo para não tocarem na malfadada cerâmica mas depois não lavam as mãos, ou o que parecia ser moda na minha escola secundária, o passar as pontinhas dos dedos por água fria durante dois segundos para não parecerem porcas.
“Ah, mas eu lavo muito bem as mãos depois”. E depois abres a porta com... as mãos. Onde estiveram outras mãozinhas de pessoas que ao contrário de ti, não lavaram as mãos. As bactérias são sempre mais espertas. As bactérias vão dominar o mundo. Mas não as tuas nádegas.

16.10.10

coerência, ou a falta dela

Ontem, nas Tardes da Júlia, depois de entrevistar senhoras anoréxicas e bulímicas, veio o senhor brasileiro do VivaMelhor! apregoar um xarope de 45€ mais portes que formava um gel no estômago que saciava a fome e depois "limpava as toxinas do intestino" (leia-se: era um laxante) para emagrecer. E depois entrevistaram uma mãe de três filhos bulímica.

E pronto.

12.10.10

nem eu, pá, nem eu,

Ontem num comboio apinhado de gente, um gajo magríssimo de camisola de mangas caveadas pintalgada de sangue na frente, com uma tatuagem que dizia "SEXO" em letras que faziam lembrar balões, murmurava para si mesmo "não gosto de ninguém, não gosto de ninguém, não gosto de ninguém..."

10.10.10

Il pleure dans mon coeur comme il pleut sur la ville - Verlaine



(nota: para quem está a ler isto no Google Reader ou semelhante, tem que ir à entrada no blog mesmo para ouvir as músicas, tá?)
E isto é o que eu tenho ouvido enquanto estudo e a chuva bate na janela, ou então quando tento dormir e a chuva bate no telhado de zinco. (Telhas são pouco poéticas, a meu ver). Mesmo que não tenha razão para estar melancólica, estou, então, é o outono, é tipo a época especial para sermos emos, tal como a época de caça. É a época de caça à felicidade, e ela que parece tão inatingivel e ali tão perto ao mesmo tempo.

8.10.10

Ontem à noite tinha uma ideia na cabeça para escrever aqui, mas não a apontei e pronto, aqui estou eu com nada para dizer. Deve ser o contrário de writer's block.

Olha, parece que está a chover.

3.10.10

sibling rivalry, part II

Recebi queixas por parte dos leitores sobre o último post. Portanto, o que a minha mente retorcida pensou foi que a miudinha já era toda psicopata e tinha ciumes do irmão, por isso quando a mãe estivesse menos atenta ela o ia ferir mortalmente com o pau e dizer que foi um acidente.

E pronto, eu entendo se já não querem ser meus amigos.

(A minha vizinha esquizofrénica contou à minha mãe que Deus a violava todas as noites. Coitada, e ela que se estava a por tão bem com os medicamentos...)

2.10.10

sibling rivalry

Ontem passei por uma mãe muito bem vestida, a empurrar um carrinho de bebé, com um infante azul feliz e a dormir lá dentro. Pela mão, uma menina de cor-de-rosa, com um pau grande e retorcido na mão.

Terei sido só eu que fiz a associação macabra na minha cabeça? Ou será a mãe muito burra e ainda toldada pelas hormonas da maternidade feliz e de classe média-alta?

28.9.10

a saia travada, agora também com poesia!

Escrevi um poema sobre a rua por onde tenho de andar para ter algumas aulas.

Rua estreita
E cheira a mijo

...
Pronto, e não tenho mais nada.

26.9.10

como é que eu sei que já é outono?


we are family, originally uploaded by stella-mia (on/off).
a) é 26 de setembro (o facto mais óbvio)
b) tenho frio
c) estou doente
d) estou a estudar
e) amanhã tenho de me pôr a pé às 6h30
f) há de facto, notícias na televisão e nos jornais
g) só me apetece ouvir Eels e Radiohead.

18.9.10

a cura para o cancro

Eu sei que sou copiona, Matilde e Puga, minhas colegas de curso, mas é tão relevante.

Vimos todos parar a este curso para sermos "investigadores". A cura para o cancro, a SIDA, a doença das vacas loucas, ou saber por que é que a torrada cai sempre de manteiga para baixo, eu sei lá. Trabalhar numa empresa farmacêutica, iupi!, vamos todos para a Bial.

A verdade vem ao de cima logo no fim de um semestre. Há emprego na investigação,há. Mas não vais descobrir a cura do sindrome de Morning Glory, não, vais estudar uma merda qualquer do citocromo ou da aquaporina, seres mal paga e ainda por cima a recibos verdes. Acaba o contrato que arranjaste de tantos CVs enviados, e vais para a rua, sem subsidio de desemprego, lol, não descontaste. Outro projecto. Mais trabalho, mais recibos verdes. Entretanto, tens 40 anos e não sabes se vais ter comida na mesa para os teus filhos, e tu que estudaste tanto e sabes tanto e trabalhas tanto.
Mais valia ires para a confecção e vender do catálogo da Avon para ganhar uns trocos à parte.

10.9.10

desabafo académico

Sinto-me como um futebolista excepcional. O Cristiano Ronaldo, suponhamos. A quem um dia lhe cortam as pernas. E depois o que é que ele é?
É nada.

Podia não ser bonita e não ter amigos, mas era boa aluna e isso bastava. Definia-me.
E agora?
Pensava que tinha deiado as duvidas existenciais na adolescência.
Parece que não.

6.9.10

lady lazarus

Chegou-me hoje às mãos - ou melhor, a minha avó atirou-mo à cabeça enquanto eu estava na cama às 8 da manhã - o livro que eu queria ler durante a minha escapadela espanhola, mas que não li, porque a amazon.co.uk é lenta, principalmente com livros usados. Os Diários de Sylvia Plath (1950-1962). Não sei se existe a tradução portuguesa disto, mas há do primeiro e último livro de prosa dela, A Campânula de Vidro, que é semi-autobiográfico. Leiam, pf.
Eu e a Sylvia somos manas. Ambas temos daddy issues do camandro, ambas perdemos um ano de faculdade por andarmos mal da cabeça, ela e o Ted Hughes (outro poeta, mas mais cabrão do que meu mano) passaram a lua-de-mel em Benidorm, e isso parece-me um sítio no qual eu passaria a lua-de-mel, porque sou forreta. (Não me perguntem como é que ela arranjou tempo para escrever o diário em lua de mel), e ambas metemos a cabeça no forno a gás para nos suicidarmos... espera, não, eu não fiz isso. Mas pronto.


Herr God, Herr Lucifer,
Beware.
Beware.

Out of the ash
I rise with my red hair
And I eat men like air.

-Sylvia Plath, "Lady Lazarus"

4.9.10

ando sentimental, caralho

Old People

Não há nada melhor do que ouvir a tua avó a contar como "a história completa" até à tua mãe ser feita, e afinal constatares que o namoro dos teus avós começou mais ou menos como o teu.
Excepto que eu não sou criada de ninguém.

-Avó, quanto é que lhe pagavam?
-Isso não se usava.

1.9.10

postcards from it..., er... spain

mi madre en azul I
A minha mãe, a olhar para o infinito e a desejar secretamente estar em casa com o aspirador e os gatinhos.
Esta noite já dormi numa cama que não se move quando me viro de noite, ou seja, a minha. Confesso que estranhei não ouvir o rugir do mar antes de finalmente adormecer, mar esse que desejei que tivesse um botão de off quando estava eu perto dele. Já o Variações dizia, "só estou bem onde não estou".

Ora bem, o que eu fiz lá, deixa cá ver.

Apanhei o pior escaldão de toda a minha vida de menina branquinha. O sal do mar (as lágrimas de Portugal?) ainda faziam doer mais. Só uma pomada de corticosteróides me aliviou. E sim, eu usei protector solar, factor 50.

Andei com os meus óculos de piscina a fazer pseudo-mergulho a ver se encontrava alguma coisa nas rochas entre os peixes primos do Nemo e as anémonas, mas nem uma concha bonita encontrei. Que raio de fauna forreta. Há dois anos em Maiorca eu e o meu amigo Gustavo encontramos uma nota de 10€ alojada nas rochas. Agora o meu ouvido direito dói com uma condição chamada ouvido de nadador. Porra, cheguei pior do que fui.


Tirei poucas fotos, confesso, porque não sou grande adepta da foto de paisagem a que o sítio se prestava. O pouco que tirei, acho que saiu bem, por isso visitem a minha galeria do Flickr e maravilhem-se.

Li O Grande Gatsby, de F.Scott Fitzgerald, estendida numa chaise longue à sombra. Recomendo a toda a gente, não só porque é uma referência da literatura mundial, mas principalmente porque os anos 20 são do cacete, e o Gatsby é um valente cabrão. Adoro livros sobre cabrões.

Ouvi a minha playlist oficial do Verão, que não muda muito há uns anos para cá, e experimentei os novos albuns dos Arcade Fire e dos The Walkmen. Do primeiro, só me ficou no complexo estribo-bigorna a Modern Man e a City Without Children. Talvez tenha a ver com este album ser baseado na infância de Win Butler em Houston, Texas, e não em Montréal (<3) como os anteriores. Acho Lisbon, dos The Walkmen, fraquinho. Vão ser sempre fraquinhos, porque nunca mais vão ter a Canadian Girl. Por esta altura já devem ter reparado o quão bairrista sou. Deste novo album, só me saltou ao ouvido a Angela Surf City. Como disse um comentador do YouTube, parece que Bob Dylan e os Clash tiveram um bebé e saiu isto.

Joguei muita Nintendo DS, principalmente jogos do Kirby, que RPGs não são muito veranis. Mas só no quarto, que o sol exterior não me deixava ver o ecrã.

Os hóspedes do hotel estavam praticamente todos distribuídos pelas faixas etárias que menos gosto, bebés e velhinhos. Era quase só espanhóis, e graças a Juan Carlos que as crianças espanholas são muito, muito bem comportadas. Palmas para nuestros sobriños.
A comida do hotel era pouco variada e saudável. Comi peixe (!) grelhado todos os dias ao almoço. De fruta só tinham melão e melancia, este último é uma delícia mas tambem diurético. Muito corri eu para a casinha das meninas.

E foi isto.

Reparei que nesta semana houve um pequenino mas para mim significante boom no número de seguidores deste blog, o que me deixa lisonjeada. Obrigada a todos, e um grande beijinho, se não tiverem herpes.

29.8.10

momento de reflexão

Namorar quando afinal só se gosta da pessoa, mas não se ama, deveria-se chamar "nagostar".


Nagostar.

27.8.10

m.i.a.


folding chairs, originally uploaded by Christina Branco.
Só para dizer que não morri afogada no Mediterrâneo. Continuo viva, apenas um bocadito mais queimada. Há quem goste da carne bem passada.

Depressa volto com muitas histórias e muitas mais fotos.
Hasta luego!

22.8.10

silly season

A uns escassos dias de ir de férias pouco-merecidas, deparei-me (ou melhor, a minha mãe, porque eu nunca iria reparar em tal coisa) que só tinha um biquini funcional. Isto aparentemente é uma tragédia porque depois vais ao mar de manhã, sais da praia, tiras o fato de banho e passas por água doce, e quando voltas de tarde tens de vestir novamente o teu único trapo de nylon, agora molhado.
Fui com a pessoa-cujo-nome-não-deve-ser-pronunciado ao Parque Nascente, mas nas lojas de roupa íntima (que nome tão chique para "loja de cuecas", sim senhor, bom marketing) só tinham partes de cima com jóias gigantes e pindéricas. Aqueles biquinis são um perigo, aquele peso ainda por cima mal equilibrado é só para uma pessoa se afogar.
Saí da loja. Ao fundo, vislumbro umas letras azuis, a indicar um oásis de preços baixos. Primark. Lá dentro, depois de filas e filas de carteiras e de arcos com lacinhos (a minha perdição), vejo a moda íntima. Cuecas de renda! Soutiens de renda! Tudo de renda! Nada de soutiens bejes do tédio. Renda azul néon!
Encontrei os poucos biquinis que ainda tinham, e a costela judia saltou no meu peito ao vê-los a 2€! Já só tinham tamanhos granditos, mas aperta aqui, puxa acolá, e voilá, serei a banhista mais poupada de toda a Andaluzia.


(Muitas desculpas aos leitores pelo tema. É a silly season, não há notícias de jeito senão os incêndios, não me deparo com situações estranhas no meu dia-a-dia pelo Porto... e depois dá nisto. Brevemente voltamos ao conteúdo intelectualóide.)

21.8.10

happy blooday.

Ana says (23:22):
*how was the mother's birthday?
*send her a kiss for me
chrisburger. says (23:23):
*meh, ela matou galinhas e depois viu nip/tuck

Ana, minha prima do coração e do blog Push The Life.

8.8.10

o papão do remédio

Venda de fármacos para crianças hiperactivas continua a aumentar
- publico.pt

Houve um dia em que ia de metro, e um menino, sentado à beira da sua avó, insistia em atirar uma colher toda suja de iogurte para onde a gravidade a levasse, e os restantes passageiros sorriam todos toinos e davam-lha, só para ele a atirar outra vez, e outra, e outra, até que me acertou. Lancei aquele olhar de quem não está para brincadeiras a ambos, avó e neto, e dei a entender que não ia pegar na colher coisa nenhuma. Outra pessoa com bem mais paciência que eu a entregou à senhora, que disse "ele é hiperactivo, sabe?". Ninguém me pediu desculpa, e a avó finalmente teve o bom senso de guardar o talher ofensivo. O catraio continuou com um sorriso a que a língua de Shakespeare chama shit-eating grin.
Acho que a hiperactividade está seriamente sobrediagnosticada em rapazes, e subdiagnosticada em raparigas e adultos. Corre e gosta muito de jogar à bola? Hiperactivo. Não consegue prestar atenção ao que quer que seja, sempre na lua, esquece-se de tudo? Burro/preguiçoso/cabeça de alho chocho.
Se de facto a criança (ou adulto) é diagnosticada (por um especialista, não mãe/pai/professor/senhora da padaria) e a perturbação lhe causa sofrimento e insucesso escolar, porque não medicar? Afinal, não tomamos insulina se formos diabéticos, ou um antibiótico quando temos uma infecção?

Post escrito por "uma menina sonhadora, de cabeça na lua".

(Notícia numa altura pertinente, em que eu própria, de maior idade e vacinada, sofro as consequências de ter um cérebro que nunca para quieto. Hão-de reparar que a minha escrita neste blog reflecte isso.)

1.8.10

crise de fé

... é o que estou a ter. Fui baptizada aos três meses, andei num colégio católico durante 10 anos (e atenção, não era catolicismo light, era uniformes, professoras freiras e só poder sair quando os pais iam lá buscar no seu Mercedes), frequentei a catequese dois anos (até fazer a Primeira Comunhão, mas depois eu queria muito fazer a Solene porque os meus coleguinhas recebiam todos para cima de 80 contos em prendas). A minha família é uma amálgama de convicções. Há o meu pai, com uma costela judia, educado em seminário, e hoje agnóstico acérrimo; a minha mãe, que pode dizer todo o mal da Igreja, mas eu que diga que não preciso de ter cinco figuras de Nossa Senhora no quarto e acusa-me de ser satânica; o meu avô, que hoje é um Anglicano praticante e a minha avó que parece acreditar mais em bruxas que na Igreja.

O meu avô, quando está cá em Portugal, vê-se obrigado a ir à missa aqui numa comum igreja católica romana. Parece que está numa celebração diferente da de toda a gente: munido do seu missal anglicano, lê o evangelho de acordo com o seu calendário e não ouve a leitura, não toma a hóstia, levanta-se, senta-se e ajoelha-se em alturas diferentes que as dos restantes paroquianos. Não entendo o porquê.

O meu avô é um exemplo extremo, mas vejamos. Portugal tem 85% de católicos¹. Em 2006, 14,5% das mulheres com idades entre 18 e 49 já fizeram uma IVG². 72.4% das mulheres nesta faixa etária está a usar um método contraceptivo³. Não consegui arranjar dados portugueses sobre sexo pré-nupcial fidedignos, mas pelos menos nos EUA, um país ainda mais conservador que o nosso, os dados apontam para 95%4. Tudo actos que o Vaticano condena, o aborto inclusivé sendo pior que a pedofilia5. Nem precisamos de falar disso, se 50% da população é mulher, grande parte destas católica. Se um dia sentissem o chamamento de serem sacerdotes, paciência, que isso é outro pecado6, tudo em nome da tradição. Nem vou falar na organização profundamente misógina que é a Opus Dei. Porém, continuam na Igreja, filhos baptizados e de catecismo na mão.

É como se isto fosse televisão por cabo ou uma apólice de seguros, vem por pacotes com diferentes opções e depois escolhe-se consoante. No pacote Catolicismo Essencial, temos o baptismo e a catequese para os meninos, depois um rico casamento com noiva de branco (cof cof) e muitos, muitos divórcios. Pacote Catolicismo Base: Baptismo, catequese mais as duas comunhões, o casamento da praxe e ir mais ou menos regularmente à missa. Catolicismo Premium: não é para fracos, toca a ter quantos filhos quanto Deus quiser dar (e olha que são muitos), mulheres, parem de usar essas calças de herege e homens, nada de se tocarem nas partes pudendas enquanto pensam na Soraia Chaves (nem digo mulheres, porque as mulheres não se tocam, certo?)

Até já, Igreja Católica Apostólica Romana. Não acho que tenho que sofrer por Eva ter comido uma maçã há montes de anos atrás;  não acho a sexualidade saudável um pecado, daí achar que Maria ser virgem ou não não muda nada na sua Santidade; não quero seguir dogmas feitos há seculos por meia dúzia de senhores celibatários, quero ler a Bíblia e tirar daí as minhas conclusões. Pode ser que um dia saias da época do Imperador Constantino.

"Nisto, não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" Gálatas 3, 28


¹Dados do INE, Censos 2001
²Estudo-Base sobre as Práticas de Aborto em Portugal, Consulmark, 2006
³Estudo-Base sobre as Práticas de Aborto em Portugal, Consulmark, 2006
4 USA Today
5Monsignor Girotti: più facile assolvere un pedofilo pentito che una donna che ha abortito
6 in Publico.pt

28.7.10

bibliophilia

Gasto demasiado dinheiro em livros. Eu sei que deveria ir a uma biblioteca pública e ler a meu bel-prazer a custo zero, mas a) os livros são todos em português e odeio ler em português; b) a biblioteca da minha terra é uma anedota, não me apetece pegar no carro para ir à dos nossos vizinhos nem no comboio para ir à do Porto.
Sendo assim, compro-os e ficam na minha estante. Já comprei mais duas estantes ano passado, já dá para me fotografarem à frente da estante e a partir daí, tudo o que eu disser é eloquente, pertinente, inteligente. Talvez até farei provas orais da faculdade à sua frente, quem sabe munida de um cachimbo. E nada de lentes de contacto. Óculos fazem subir o QI vinte pontos. Monóculo quarenta. E monóculo seria bastante vantajoso para mim, creio.

24.7.10

e eu sou um 1/4 dele.

O meu avô é obcecado com fracções, penso.
À noite, o seu jantar consiste em metade de uma maçã e metade de uma banana, regado com uma antiga garrafa de coca-cola de 33cl de vinho tinto. Depois, vai para o quarto de banho, onde lê uma parte do JN ou do Expresso, e fuma um terço de cigarro, que de seguida apaga e deixa no cinzeiro para a noite seguinte.

20.7.10

só para eu me sentir um pouco melhor

As pessoas precisarem de média 19 para entrar na faculdade é um disparate. Significa que são pessoas pouco dotadas: só sabem utilizar a memória. Em termos de qualidades humanas ficam para trás. O que é que uma pessoa sem qualidades humanas faz ao exercer profissões em que isso é essencial?
 - Carlos Lopes Pires, psicólogo clínico, in JN

19.7.10

neuter your pets and family members

Quando eu finalmente dominar o mundo, vou arranjar cientistas que vão inventar uma forma de esterilização 100% reversível para ambos os sexos, que irá ser mandatória para toda a gente. Depois, quando quisessem ser pais, tinham que passar um teste teórico, e depois ter aulas práticas (à la escola de condução). Se ao fim disto passassem tudo e ainda assim se quisessem reproduzir, revertia-se a esterilização e lá deitavam para fora um puto.

9.7.10

ó boa

Ando de transportes públicos quase todos os dias e não é das primeiras vezes que isto acontece. Até já tenho um stalker, mas isso fica para outro(s) post(s).
Entrei no autocarro, apontamentos de Química Orgânica I na mão, e sentei-me num dos lugares da frente, à beira dos de cedência obrigatória. À minha volta, um grupo de mulheres a falar como quem não quer a coisa que "a menina"¹ podia ir para os outros assentos e deixar a amiga delas vir para o meu lugar.
"Hã?" Não estava atenta. "Quer que eu vá para ali?"
Lá fui, uma delas tira um envelope da Worten com fotos extremamente mal tiradas de uma jovem grávida prestes a rebentar. "Que barriga tão descida. Vai ser rapaz!". As tretas do costume.
A criança de calções verdes ao meu lado levanta-se na Praça Guilherme Gomes Fernandes. Senta-se um homem de meia idade, que parece precisar de abrir muuuuuito as pernas quando está sentado. Há gente rude assim. Um pouco desconfortável para mim.
Finge verificar as horas. Para tal, necessita de meter o seu cotovelo na minha mama. Agora, começo a desconfiar se este não será um daqueles. Pode apenas ser descoordenado. Sim, é isso. É descoordenado, eu também tenho que abrir muito as asas quando como. Mas aquilo das pernas abertas continua a incomodar. Encosto-me ainda mais à janela do autocarro. Ele abre ainda mais, de modo a continuar a estar em contacto. A mão esquerda que está pousada na sua coxa começa a querer tocar na minha. Cruzo as pernas e encolho-me o mais possível.  A senhora à minha frente lança-me um olhar de quem está a entender.
Estamos agora na paragem antes da minha, e ao contrário do que faço normalmente, já me pus a pé a tentar andar em direcção à porta de trás. Quem se levanta também, quem é quem é? Encosta-se a mim e o autocarro nem está muito cheio. Sinto-me enjoada, meia a hiperventilar. Avanço ainda mais, sempre agarrada aos ferros. Ele segue-me. Está agora a roçar-se a mim. Ouço a sua respiração. É impossível isto não ser de propósito. Estou dividida entre a) meter-lhe um tacão na virilha; b) gritar "QUER PARAR COM ESSA MERDA, CARALHO?"; c) vomitar; d) chorar; e) todas as anteriores.
A minha paragem. Saio, a tremer e a querer a minha mãe. Eu espero pelo verde da passadeira, ele atravessa mais abaixo, mas acaba na mesma rua que eu. Inconscientemente, queria que ele passasse o portão da faculdade atrás de mim, para eu chamar um segurança. Não o fez.
Não estava numa discoteca. Não estava "a pedi-las". Estava num autocarro a caminho de um exame.




¹Quando é que deixo de o ser, alguém me diz?

8.7.10

sensitivo conforto extra para maior prazer sem látex

assorted, originally uploaded by меr.
Expor os preservativos ao lado das coisas de bébé e dos testes de gravidez é um golpe de marketing excelente.

3.7.10

não tenho palavras

Uma médica nos Estados Unidos está a tratar mulheres grávidas com hormonas experimentais, de modo a "prevenir" que as filhas destas se tornem lésbicas. Também tenta prevenir o nascimento de raparigas que demonstrem um desinteresse "anormal" por bebés, que não queiram brincar com brinquedos de menina ou serem mães e cujos interesses de carreira sejam demasiado "masculinos". Leiam mais aqui.

30.6.10

não tenho culpa das coisas serem bonitas


non-party party, originally uploaded by f∞lish.
Hoje devo ter parecido uma trintona desesperada enquanto descia os Clérigos, a olhar para as montras das lojas de vestidos de noiva e das ourivesarias.

26.6.10

não consegues vencer

Estou na idade em que me perguntam "Então, tens namorado?".

Depois começa o "Quando é que te casas?"
Bates com a cabeça, casas-te, vêm eles com "Então para quando é o bebé?"
Nasce o rebento, e mal sais da maternidade é "E agora era bonito terem outro, para fazerem um casalinho"
Um acidente, e outro a seguir, e agora "Tanto trabalho que deves ter. Não achas três demais?"

Puxa à frente a cassete, e há o "Então? Já tens netos?"

20.6.10

gente pequenina

 "A mim, o que me vale, meu caro Tolentino, é que já não há fogueiras em São Domingos".
José Saramago, a José Tolentino de Mendonça, 2009


Cavaco não foi ao funeral de José Saramago. O Governo Regional dos Açores recusou-se a enviar mensagem de condolências. Logo que comentei a morte na faculdade, alguém disse "Ele também não gostava de Portugal." (Há assim muito que gostar?). Porque é que há-de gostar de um país em que eurodeputados têm vergonha de serem seus compatriotas, vetam-lhe livros para concursos literários europeus porque "não representam o país e a sua cultura¹". Sinceramente, surpreende-me até que ele quisesse ser cremado em Lisboa.

Cá para mim, este desprezo todo a Saramago não se deve ao ser comuna/anti-Igreja/pro-ibérico mas sim à dor de cotovelo. Passo a explicar, nós não usavamos pontuação nas composições da escola primária, eram riscos a vermelho por todo o lado; Saramago não usa pontuação, pimba!, Prémio Nobel.

Para terminar, na minha opinião, Saramago leu e compreendeu muito mais a Bíblia do que muitos dos "católicos não-praticantes" que andam aí a mandar postas de pescada.



¹Cultura portuguesa: putas e vinho verde, aparentemente.

16.6.10

chapéus há muitos, parte II

chapéus há muitos

(Ascot, imagem via GettyImages)

Um dia os meus pais verdadeiros (que pertencem à monarquia britânica) vêm me buscar e eu vou às corridas de Ascot e aposto o dinheiro dos papás com um chapéu de ornitorrinco na cabeça.

13.6.10

biologia celular amanhã, ai ai.


Aquele Que Não Gosta De Saias Travadas diz (19:41):*note: all science is pretty when it's being shown and not so much when it's being done

11.6.10

cais e ainda levas por cima

O meu gatinho de um mês, agora baptizado Pipoca, caiu do sofá pela primeira vez. Não caiu de patas, perdeu logo ali 1/7 de vida. Pu-lo outra vez no sofá, e a mãe deu-lhe uma patada no focinho (literalmente).

10.6.10

E tu, o que é que farias por um...

Ontem andei 4km, de S. Bento ao GaiaShopping, para lá reparar que me tinha esquecido de fazer uma transferência para a minha conta corrente, ou seja, tinha saldo negativo. Lá andei eu mais 4km de volta.
O meu sistema cardiovascular agradece.

7.6.10

Feira do Livro

Que mal pensado, a feira do livro ser imediatamente antes da época de exames! Deveria ser no fim de Julho, assim eu já não me sentiria culpada por comprar livros que não posso ler antes de passar a todinhas as cadeiras  - que eu sou o tipo de pessoa que os compra e no comboio para casa já lê metade - e as outras pessoas podiam comprar literatura light para se ocuparem enquanto desenvolvem um melanoma em Agosto.
Só vi metade das barracas, metade desta ocupadas por sequelas d' "O Segredo" e "Crepúsculo", e já foi o suficiente para salivar. Saí de mãos vazias, devido a uma carteira em igual estado. Há tanto tempo que não comprava livros em lojas físicas (recomendo a quem lê a língua dos camones bookdepository.co.uk e amazon.co.uk, o primeiro tem portes grátis) que já não me lembrava do preço dos livros em Portugal, em especial os dos autores lusitanos. 15€ por um capa mole do Miguel Sousa Tavares, ainda por cima numa feira do livro? Hahaha. Ha.
Tenho que voltar lá qualquer dia e comprar o "Crónica Feminina", da Inês Pedrosa - não gostei das ficções dela, mas gosto das crónicas no Expresso e este livro já não se encontra em mais lado nenhum; e o "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez, um dos que mais gostei, mas que como o pedi emprestado a uma amiga (olá Ângela!) não o tenho na minha estante BILLY. Quero viver em Macondo numa casa com um corredor de begónias e ter filhos chamados Aureliano e Arcádio.

30.5.10

Hoje à noite na RTP1, no "Linha da Frente", um especial de sobre a violação intitualado "Uma Mancha na Alma", em que além de recolherem testemunhos horripilantes com engrossamentos de voz à mistura também dão "dicas de prevenção".
Que bom, assim as pessoas que foram violadas podem saber o que fizeram mal!

Para citar um grande amigo meu, numa conversa do MSN:
"Como se previnem violações? Cintos de castidade com lasers?"

24.5.10

forniquem à vontade, divirtam-se

Tornar obrigatório o ensino da educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade, divirtam-se, façam o que quiserem mas com higiene.
D. Duarte Pio, Duque de Bragança, in Diário de Notícias

A educação sexual faz com que não haja raparigas que acham que por comerem fruta com caroço quando estão menstruadas nascem-lhes caroços na cara, entre outros mitos absurdos. Reduz o número de contágios de doenças sexualmente transmíssiveis - e não estou só a falar da SIDA, que isso é só para os drógados, né? Reduz o número de gravidezes adolescentes - e pasme-se, de abortos, coisa que o Sr. Duque não deve gostar nada. Mais do que nada, dá aos jovens informação correcta sobre os seus corpos - que são deles, não do Estado, não dos pais, não dos namorados, mas deles. Como dizem os anglo-saxões, knowledge is power.
A meu ver, a educação sexual deveria começar desde tenra idade, com as diferenças entre os sexos, chegando progressivamente a tópicos mais adolescentes como a contracepção e até a ética - que não faz mal esperar, assim como não faz mal ter sexo; que quando um parceiro diz não é NÃO; que a violação é sempre, sempre, sempre culpa do agressor; a igualdade entre os genéros.
E não adianta dizer que esta instrução deve ser dada em família! Pensem, quantos pais mostram como funciona a pílula, o preservativo, etc?
Eles vão "fornicar" mais cedo ou mais tarde - sim, incluindo os seus angelicais filhinhos com mil e quinhentos nomes próprios - e quando essa altura chegar, seja aos 16, seja aos 60, convém estarem preparados para se protegerem convenientemente. 

(P.S. Imaginam este gajo como nosso rei? lol)

20.5.10

eu gosto é do Verão.


Até que enfim que chegou o Verão, sem ser abrasador nem abafado, apenas uma desculpa para usar vestidos e sandálias. Estou com a janela do meu quarto aberta, a ver o fim do pôr-do-sol que por estas altura é bastante tarde (outra das vantagens do Verão). Queria tirar fotos à paisagem, acabei a fazer experiências com a máquina e saiu isto.

sono

(by artong @ flickr)
São 7h46, estou no comboio cheia de pica a escrever isto no Notepad, uma vez que a minha net não é como a do Nuno Markl e não funciona em todo o lado. Só adormeci eram duas e tal da madrugada. Acordei às 6h30 com o "Here Comes The Sun" no telemóvel e nem ponderei fingir uma amigdalite como faço em todos os outros dias, apenas saltei da cama e fui à minha vida.  Como é possível que, dormindo umas míseras quatro horas, me sinta mais desperta do que nos raros dias em que durmo mais de oito? Terá a ver com ter acordado enquanto estava a acabar um ciclo de sono, e assim não era um sono tão profundo? Estranho. Tenho que aprender o funcionamento exacto disto, e assim poderei dominar o mundo só com quatro horas de sono por noite.

19.5.10

cat lady assumida

Ainda bem que, ao contrário dos homossexuais, tenho esta coisa linda para tomar conta de mim quando for caquética.

18.5.10

não sabia que era "esquerda caviar"

É A DITADURA DE UMA ESQUERDA CAVIAR': Isilda Pegado Presidente da Federação Pela Vida reage à promulgação dos casamentos homossexuais
Correio da Manhã – Como comenta o facto de o Presidente da República ter promulgado o diploma que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Isilda Pegado – Lamento. Sinto uma tristeza profunda pela aprovação de uma política desta natureza que vai contra a vontade de muitos portugueses. É uma verdadeira ditadura de uma esquerda caviar e de um Governo que usa esta forma para assumir um compromisso com o eleitorado que o elegeu.
– O que é que a fazia acreditar que o Presidente da República teria outra posição?
– Acreditei até ao momento em que ouvi. O veto seria uma decisão democrática. O Presidente não ouviu os portugueses. Não ouviu a sociedade que governa. Ignorou a opinião dos portugueses.
– Mas não será mais democrático atribuir direitos às pessoas?
– Já o disse várias vezes. Essa minoria já tinha direitos. Tinha o direito de viver como outras pessoas, nas suas circunstâncias física e psíquica próprias do homossexual.
– O Presidente da República deixou claro que ao vetar só estaria a prolongar o debate e que, ao devolver o diploma, os partidos iriam aprová-lo na mesma. E lamentou que a união se chamasse casamento. Não concorda que o desfecho seria o mesmo?
– Os portugueses continuarão divididos. Muitos são os que não concordam com os casamentos homossexuais. Se foi a olhar a votos, vai ter um desencanto.
– Que consequências prevê com a aprovação deste diploma?
– Muitas. Terá graves consequências ao nível dos valores da nossa sociedade, da educação dos jovens e principalmente económicas.
– Económicas em que sentido?
– Quem é que trata destas pessoas na velhice? Não têm filhos, nem podem ter netos. Também têm direito a ser tratados, logo, vai sobrar para todos nós. Vai sobrar para os contribuintes.
in Correio da Manhã

E a Pegado sabe lá se cuidam dela quando for velhinha e (ainda mais) chata?

morri.

Novo grupo do Facebook:

Período ≠ Sexo

Regina Spektor


Dia 1 de Julho, em Cascais.

andante

 (15012010 @ flickr)
Andar de transportes públicos fez-me odiar o mundo em geral. Agora que os meus auscultadores branquinhos avariaram, e com o meu magro orçamento de estudante universitária e calaceira, não serão substituídos a curto prazo, tenho que ouvir as conversas à minha volta no comboio e no autocarro. Nem um livro ou os apontamentos das aulas me conseguem distraír.
Uma rapariga morena, de Vans e óculos de sol gigantes, estava a dizer aos seus amiguinhos igualmente sapientes que "não achava piada ao divórcio". (Eu, pessoalmente, acho montes de lol, vocês não?). Depois vi que na pasta trazia um grelo de Direito. Ainda mais burra: divórcios podiam engordar em muito a carteira dela, sem dúvida da Hello Kitty.
Concordava com o casamento homossexual, mas só entre homens. "Duas gajas a comerem-se é nojento."

17.5.10

champagne

Este blog chama-se saia travada, porque uma vez uma pessoa disse-me que não gostava de me ver com ela.