24.8.12

Há um padre na minha paróquia que não quer deixar a noiva do meu vizinho entrar na Igreja ao som da "Ave Maria" de Schubert, não, tem que ser o que o coro dele decidir. De frisar que isto é um padre com 26 anos e que tem a palavra "buba" no seu endereço de e-mail.

Espero que ele não esteja por aqui se eu me casar, o meu sonho de menina é entrar ao som da Marcha Imperial do Star Wars.

23.8.12

estamos numa de insultar figuras públicas


 "Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de ‘Gordinha’
A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas. Ora acontece que a Gordinha é geralmente gorda e sem formas, tornando-se aos olhos masculinos pouco apetecível, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando qualquer bisonte numa mulher sexy, mesmo que seja uma peixeira com bigode do Mercado da Ribeira.
A Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de mascote do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos têm um bocado de pena dela e alguns até uma grande dose de remorsos por já se terem metido com a mesma nas supracitadas funestas circunstâncias. E é assim que a Gordinha acaba por se tornar muito popular, até porque, como quase nunca consegue arranjar namorado, está sempre muito disponível para os mais variados programas, nem que seja ir comer um bife à Portugália e depois ao cinema.
À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto porque como são ‘do grupo’ toda a gente acha muita graça e ninguém condena.
Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais me irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se comportam de forma semelhante a elas.
Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. Que o digam as minhas amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca as conseguiram levar para a cama e as gordas que teriam gostado de ter sido levadas para a cama por esses ou por outros. Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.
Porquê? Porque não é vista como uma mulher? Porque todos têm pena dela? E, já agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?»
Como dizia a Wallis Simpson: «Never too rich, never too slim». E quanto às Gordinhas, o melhor é arranjarem um namorado. Ou uma dieta. Ou as duas coisas."


Eu já fui (e sou) uma "gordinha". Não em termos de volume- mas falo alto e digo palavrões, bebo e falo de sexo, só não faço xixi em becos desde os 6 anos, e não tive que pedir autorização a ninguém, chamem-me leviana e porca o quanto quiserem. A Margarida bem queria ser livre assim, mas coitada. Fica-se em ser uma "magra" e a escrever coisas destas. Faça um favor à humanidade e ao sexo feminino em concreto e atire o seu Macbook (aposto que é Apple fangirl) da janela do seu T6.

22.8.12

a nobre tradição e cultura da tourada

 
 
Caro Sr. Joaquim Bastinhas,
Já que você fala em tradição portuguesa, em vou-lhe dar um conselho tradicional. Vá-se foder.
Cumprimentos,
Uma esquerdista de merda
PS: se quiser tradição, vá ver o rancho.
PPS: Esse fato de toureiro é tudo menos maricas.

4.8.12

riots not diets

 (Continuação deste post)
O vestido lindo lindo lindo de renda verde-água serve-me! A menina da loja disse que de todas que viu experimentar era a mim que assentava melhor (e eu acredito, que as lojistas mais novas mentem menos que as mais experientes, a meu ver!)Não posso usar soutien com ele e quando vou a apertar o fecho na parte do peito tenho que recitar um cântico budista vai-me-servir-vai-me-servir-vai-me-servir, mas depois tudo corre bem e pareço uma ninfa do Ave com ele.
Vou arrasar lá no casamento no meio das primas afastadas de Inditex dos pés à cabeça.

pensamento estúpido da uma da manhã

O meu pai costuma dizer "Fizeste a tua cama, agora deita-te nela". (A minha mãe diz apenas "desenmerda-te"). Acontece que eu desfaço a cama antes de me deitar nela. O meu pai deve passar frio de noite.